sábado, 23 de abril de 2011

Romance


Com olhos tristes e contemplantes
Buscando no ar seco e estagnado
Cristalizar... Fotografar o instante
E guardar nos bolsos do passado.


O corpo escapa ao alcance
De mãos e de sonhos
Escrevo um breve romance
De destinos estranhos


No desfiladeiro de intranqüilas curvas
Com a visão envelhecida e turva
Preciso aperfeiçoar meu tato


Em breves... Poucas palavras
Páginas quentes de letras brasas
Vive um mundo intacto.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

domingo, 10 de abril de 2011

Coisas que não se falam


Amei tantos corpos
Que não são meus
Amei tantos sonhos
Que não me pertencem
Vivi tantas vidas
Que não são minhas


Sempre buscando
O que eu não sabia
Mas o que quero
E sei que me pertence


Os enganos tive que engolir
Sem deixar marcas do que fugi
E as flores me provocaram um medo
De segurança... De paz...
Daquilo que se perde
Apenas com esmigalhar da vida
Que espera o corpo secar
Do último vestígio de bebida
Para ser levado pela morte


O medo do desperdício
Me atribula
Com o som louco
Solitário
Da noite
Que incendeia meu corpo
Esperando um sinal de amor sincero
E pleno.


Henrique Rodrigues Soares – Romaria Lírica

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dom Casmurro


Se teu olhar te traiu
Na busca do que foi perdido
O semblante sólido agora caiu
Quebrando o disfarce antigo


Atores de um silencioso teatro
Com movimentos e diálogos ensaiados
Durmo e acordo com o abstrato
Gentileza e sorrisos mimados


As cenas com que foi ludibriado
São perfeitas aos olhos apaixonados
Doce visão para um enganado
Que se converteu num ódio enciumado.


O que era desconfiança virou realidade
Qualidades, gordura enfeitada de confeitos.
Que esconde o integro sabor da interioridade
Diante destes olhos agora são defeitos.


O que era incerto virou certo
Visão esclarecida da verdade
O encantado jardim virou deserto
O amor fiel virou maldade.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Preciso Amar!


















Preciso novamente amar...
Amar com versos esquecidos
Preciso encontrar aquele olhar
Antigo e adormecido.


Amar de corpos aquecidos
De suor e odores atrevidos
Beijar perdendo os sentidos
Os limites e a libido.


Preciso novamente amar...
Amar como proibido
Saqueando e sendo perseguido
Comendo e sendo comido
Um lutar e ser vencido.


Amar como enlouquecido
Mar bravio que não pode ser contido
Perdendo respeito pelo temido
Num se pegar que nos deixa combalido.


Preciso Amar... Preciso Amar...
Ressuscitando a pegada do que foi falecido
Reanimando os beijos que estão adoecidos
Reatando os votos prometidos.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Morte

















Alguns dias acordamos cansados
Fadigados e extenuados de viver
Vemos tudo como um trágico fado
E então, compreendemos porque morrer.


Trabalhamos, trabalhamos...
Sem algo para receber
Nos enganamos e saciamos
Construindo sonhos de poder.


O dia começa exaustivo
Sem novidades para acontecer
Sem desejos ou motivos
Vamos nos acostumando a esquecer.


A mulher grávida anda e chora
Com suas mãos segurando, tentando conter.
Um vivente que quer ver o mundo afora
Com seus próprios olhos conhecer.


Começou de novo o que ficará velho
De todos os choros, o melhor é o de nascer.
No universo de estrelas, um centelho.
Abriu, brilhou e agora vai escurecer.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

domingo, 9 de janeiro de 2011

Japeri
















Acordas bem cedo!
Tem que trabalhar
Está bem longe, acanhado,
Escondido no final da baixada.


Madrugadas frias
Com ruas de terra e um verde calado
Cinza de pouca esperança
Passos miúdos e apressados
De um povo que corre
Como as águas do Guandu
Num ritmo suave que nunca pára.


O sol acorda os montes
E ao redor da ferrovia
Tudo desperta e se mexe
Com espreguiçar de quem não se espera muito.
As crianças brincando de bola,
Soltando pipa e indo para escola.


Poucas ruas asfaltadas
Com casas longas e outras apertadas
Algumas tão pobres, outras como rosto de moça rica pintada.
Aonde os animais vivem em harmonia com humanos.
E humanos que vivem como animais ajuntam seus pertences
Para próximo acampamento noturno.


Ao chegar da noite
Tuas noites têm estrelas
A criançada brinca pelas ruas descalçadas
Sem se preocupar com o amanhã.
A lua brilha achando graça
Junto com as moças nas acanhadas praças,
Que não tem hora para adormecer.


O povo vai descendo dos trens
Com bolsas, sonhos e cansaço
E logo adormece pequena cidade
Do meu coração.
As casas cheiram silêncio
As ruas cheiram escuridão
Esperando o nascer de um novo dia
Com sua rotina repetitiva.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sentença



















Já fomos felizes
Quando beijos
Rimavam com desejos.
Se anos de rotina
Fez do amor oficina
De atores e atrizes.


Os olhares ardidos
Agora são frios
O desnudar escondido
Agora sem brio.


Um exercício tardio
Sem sorrisos, sem energia
Diálogo e carinho vazio
Limitado e sem ousadia.

Se alguém sofre
Não se sabe
Toda rudeza encobre
E nada de belo cabe


No rol de gestos imitados
No prazer copiado
Ou procura de culpados
Para um fim acertado.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Monomania















palavras sucessivas oprime
sugestões estúpidas confusas
dominado pelo tenebroso crime
de quê me acusas?


me acusas sem precisão
da grandeza de meus planos
qual é a questão?
porque tão desumano?


danos me foram legados
inclusos em minha parte
não sei qual foi meu pecado?
deve ter sido. - amar-te


continuo com esta doença
de carne, alma e pensamento
ato de fé por uma crença
idéias em confinamento


furtaste os meus segredos
me arrebentara num precipício
não há castelos nem espelhos
só muros e edifícios


II
já não falamos a mesma língua
abriste todos os meus segredos
conheceste as minhas manias
hoje revelas os meus medos


medo das alturas
medo dos copos quebrados
medo das mãos puras
e dos meus olhos afogados


afogados no mar que criei
me cortei nos corais
são marcas que conquistei
para esquecer nunca mais.


Henrique Rodrigues Soares - A Natureza das Coisas

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Sobrevivente




















o ar quente que sai do teu decote
a vida espontaneamente espera a morte
os lábios que falam como chicote
os corpos açucarados num fricote


na vida sobrevivem os fortes
não para essa de azar ou sorte
limpei as feridas, curei os cortes
todo time tem seu mascote


II
o cumprimento da tua minissaia
o infortúnio da vaia
a marcação da raia
a mordida da lacraia


a arte dos índios Maias
a febre da malária
nem todos são da mesma laia
nem todos vestem uma mesma malha


III
veja essa onda de livre umbigo
produto de desejo antigo
para palavras não ligo
não resolvem... não são meu abrigo


quantas dores sem amigos
quanta fome sem trigo
esta saudade que levo comigo
de tudo que deixei contigo


IV
a impotência é o maior aleijo
qual o valor de um beijo?
qual o sabor de um queijo?
o que sonho? o que almejo?


tudo é quanto tão vejo?
são quentes os desejos
desordens que antevejo
nascem de um simples gracejo


V
procuro de tudo um sinal
tão simples e irracional
tão chulo e tão banal
para sintonia ou canal


me ensine o bem e o mal
me ensine o sensacional
traduza para meus olhos o fatal
antes que me cale com o final


Henrique Rodrigues Soares - A Natureza das Coisas

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Alma Corsária
















fotografias antigas não tenho
lúcida treva na memória
subterrâneo sem estória
o passado queimou como lenho


amores foram sem escolhas
gavetas... maçanetas rachadas
dor triste desafinada
árvore, só de galhos e sem folhas


não consigo olhar as luzes amargas
no meu ouvido canções terríveis e mortas
no mar longe das dorcas
edifícios, ilhas e cruzes


o eterno esconde a verdade
as suas pernas escondem o mito
as estrelas o infinito
de quem procura a realidade


meus versos sem nexo
são rascunhos de um dia
notas de uma melodia
perdida sem sucesso


II
amo tua tristeza e tuas estrias
não sou bom falando palavras
mas as escrevos com simpatia


neste mundo que raro é a esperança
nos olhos dos vivos
tão duvidosos e tão decididos
são caro também os dias e os dedos
vende-se corpos, almas e crianças
tudo é tão claro, quando não um segredo


o amor é sempre repetitivo
muda-se apenas os nomes
os mesmos beijos... a mesma fome


eterna mutação dos princípios e dos fins
leitura do não e do sim
pelo rio da dúvida infinita
tão revolta e desdita
navegas a vida sem consolação.


Henrique Rodrigues Soares

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Encontro














Naquela noite serena em que te encontrei
Brotara no teu rosto sorriso sem igual
que como uma áurea angelical
me conquistara. Então te amei


como se ama sem prudência
Num desejo de querer
Num desejo de ter
sem vícios ou dolências


Como um corcel atropelei o vento
numa corrida louca
Meu coração disparou à solta
a procura do seu sustento


Um selvagem sem espírito
cavalgava pela natureza
sem títulos de nobreza
tendo pela frente apenas o infinito


A violentos galopes fui a tua procura
Quando te encontrei. Cansado
esperei por teu olhar iluminado
Um olhar profundo de ternura.


Henrique Rodrigues Soares

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ritmo das Coisas














me experimentas com sal ou doce
me cumprimentas com mãos ou olhos
me facilitas com sorrisos
me acostumas com as horas


me costuras com os amores
me fascina com as cores
me engana com as flores
me escraviza com os sabores


mas, não me farto
mas, não me encontro...


os edifícios me sufocam
este barulho todo me ensurdece
estes andares femininos me provocam
a miséria me emudece


os grandes anúncios te convocam
para liquidação ou para prece
os carros se atropelam numa quermesse
os pedestres fazem sexo quando se tocam


mas, não me farto
mas, não me encontro...


Henrique Rodrigues Soares

domingo, 7 de novembro de 2010

Problemas do Amor




















O amor é feito de retalhos
cheio de manhas, manhãs e atalhos
as cabeças pendem como holofotes
Olhos vêem os escondidos dotes
que ao efeito do vinho
rebelam em suaves carinhos


A lua acende e ilumina
paixões que correm pelo corpo
A lua enlouquece a solidão
fria que se derrama em copos


A noite é pequena para quem ama
Se quer sol na noite e cama,
de dia e chama
sangue tinto de qualidade


II
As minhas mãos te atravessam
Meus olhos conversam com os teus
Hora fria é a hora do adeus
Bocas degustam o doce do outro
E os calores dos corpos produzem luz
Luz para estas escuras vidas


Mas um dia, e todos os outros são cinzas
uma palavra, um gesto, uma dor, um medo
no corpo e nos olhos
tudo que era limpo e belo, agora é sujo e falso


III
Palavras não levam a lugar nenhum
contas que são faz-de-contas mal contados
tantas portas e tão poucos caminhos
tanto sexo sem nexo e carinho


Sentimentos flácidos e gordurosos
cozinham sem tempero
esperando o mau gosto de alguém para comê-los


IV
Procuras o quê?
-Não sei!
Há tantos procurando tantos
Há pranto em vários cantos
que meu canto diante de tanto pranto se calou


Risos cospem na face
o frio do desgosto corre nas veias
Preciso de teu corpo nem que seja como árvore


Mentiras e enganos...
Somos tão humanos
que nos parece honesto
ser assim.


Henrique Rodrigues Soares

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Canto de Solidão




















solitário, e sem ouvintes
caminho falando mentiras
uma voz tonitruante
flui na intensa luta
meus planos inconstantes
meus passos flutuantes
são manual de verdade


nos ocasos os acasos
verdadeiros casos de dor
febres tomam nossos corpos
e vemos tudo como uma única chance


hoje, está tão frio
esta chuva fina
despertando o cio
de quem não tem amor


quantas vezes teu sexo
é maior que o mundo
quantas vezes teus olhos
desejam profundo
um pouco de silêncio
um pouco do imenso
um pouco de morte


quantas vezes tua cama
tua fama, tua lama
dispensas vazias e muitos ratos


a saudade chama...
clama... inflama
por todos os dias
corrói os fatos


são tantos dramas
tão pouca comédia
é calor de epiderme
lágrimas de verme


não me iludo com mimos
no amor sempre se perde
cada rio tem seu morredouro
mas é preciso...


Henrique Rodrigues Soares

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Inconsciência do Saber


















Levemente, as suscetibilidades te atrasam
Teu corpo sem fôlego
Como um rio sobre um córrego
É tanto alimento que vazam


A tristeza engordura tua face
Com seu sombrio olhar
E num vento você ver rasgar
A ingratidão de teu disfarce


O medo de perder te contém
Na briga pelo território
O teu coração bode expiatório
Das dores que te controlam


O possuir é tão fraco
Como deixar-se escapar
Os opostos formam par
"O ser ou não ser" não deixa rastro


Henrique Rodrigues Soares

domingo, 31 de outubro de 2010

Prisioneiro da Solidão




















Sem chances sem palavras
Uma solidão branca devassa domina meu coração
Tudo anda em círculos
da obra prima a matéria bruta
tudo se compõe e decompõe em grãos


Os ditadores esquizofrênicos
os D. Juans amargos
os baús trancados
pelo passado sem chaves
nunca mais usados por ninguém


Os sonhos são ousados
mas a perdição é inconsciente
A vida um recipiente
onde alegria e tristeza disputam lugar


Amar é entregar
ao convívio das ilusões
Desejar é querer
domar o touro pelos chifres
O egoísmo transforma o coração
num oceano de solidão


Henrique Rodrigues Soares - A Natureza das Coisas

sábado, 30 de outubro de 2010

El Pibe de Oro
















Como verei futebol sem ver Maradona.
Cadê o craque argentino?
Futebol de gigante... tamanho de menino!


O que será de nós? Pobres mortais!
Sem vê-lo com a camisa azul e branca de seu país
O gramado que fora pisado por seus mágicos pés
A bola que acariciada foi por seus toques sensuais...
hoje choram de saudade por aquele craque do Boca
que calou tantas bocas...
e acendeu outras de alegria


Ah, Napolitanos!
Quanta tristeza vela em seus corações
Ah, Castelhanos!
Guardem em teus olhos as visões
do menino demônio
que conquistou o mundo com o dom do futebol.
Tão feroz como um furacão passou
Com o talento magnífico nos encantou
Maldito foi, os caminhos de seu coração


De deus, agora vida de mortal
num tango sem carnaval
passos de tristeza e dor.
A Argentina, o Mundo,
viu o martírio num lento suicídio
do herdeiro castelhano
de Pelé e Garrincha.


Henrique Rodrigues Soares - A Natureza das Coisas

domingo, 24 de outubro de 2010

Meditações sobre Vida e Morte
















os distúrbios mentais
os licores carnais
o descanso da tarde
o nascer da madre
respirando o ar matinal
o receber noturno
com o desespero do infortúnio


o veneno guardado no bolso
o egoísmo que não ouço, que não ouso falar
os temores, os dissabores, os rancores
colhidos no coração
são de uma safra sem perdão
são uma sombra sem salvação


mas todos querem viver
nem que sejam com as bocas caladas
com o riso das ciladas
em suas faces
as células aventureiras gritam pela ação
enquanto a morte quer nos aleijar na solidão


o vento envelhece seus sonhos diuréticos
quase caquéticos
seus desejos dietéticos
seus ideais comprados em liquidação


o vento liberta
seu ódio encarcerado
seu medo doutrinado
cheio de observação


Henrique Rodrigues Soares - A Natureza das Coisas

Pelé




















Mil novecentos e quarenta foi o ano
Vinte três de outubro foi o dia
Em que o futebol da magia
Concebeu seu soberano.


Nas Minas um negro diamante
No berço das Três Corações
Seu brilho de chuteiras e calções
De Bauru ainda infante


Partiu para o mundo com uma camisa
Branca que dominava adversários
Podia ser como tufão ou como brisa
A Vila Formosa foi o maior cenário


De uma poesia estonteante
Dribles magníficos e desconcertantes
Pobres dos goleiros já previam
O que seus torcedores já sabiam.


Maestro da bola, tenor do pé,
Embaixador do encanto, isto é Pelé.
Gols, mil duzentos e setenta nove
De uma objetividade nobre.


As imagens da nossa seleção
Camisa dez sem comparação
De uma nação de brasileiros
Orgulhosos, e sem nação.


Com a camisa canarinho
Até em campos sem lei
O futebol sozinho
Escolheu seu Rei.


Henrique Rodrigues Soares – O que é a Verdade?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Falta de fé














Não quero um brilho triste e fosco
Quero lágrimas brotando no rosto
como quem espera um novo alvorecer
um calor no corpo para se aquecer


Áspera e quente é a paixão
que queima e machuca
a noite chega como uma bruxa
linda, bela, cheia de encantação


E quando vai embora, maluca!
deixa-nos em devastação
Amor, cinzas de um caixão
é o vento! é o sol! é a chuva!


Resíduos de conversa criam uma guerra
soldados andam patrocinados pelo sangue
carregando pólvora em seus tanques
a busca de estrelas em outras terras


Teus crimes são infantis
diante do mau que ronda o mundo
são um câncer denso e profundo
procurando um mártir.


Henrique Rodrigues Soares

domingo, 17 de outubro de 2010

Corredor da Vida



















Gritos de dor me sufocam
Uma dor que arde no peito
Destas sem descanso sem leito para dormir


O curto silêncio vive dúvidas... ansiedades
que podem durar instantes
que podem está ainda distantes


O aroma do tempo santo
voa sobre nossas narinas
Não há nenhuma aspirina
que vá controlar minha dor


Desta prisão buscou liberdade
mas apenas de cela mudaste
Pois nunca haverá sol nem lua
sem que você abra seus olhos.


Henrique Rodrigues Soares

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Cidades Esgot(os), (adas)
















Almas andam em rotas
de colisão com a morte
buscas remotas
de dentes de rotes


a precisão da bala, a precisão de teus olhos
sinais vermelhos fechando a via-crúcis


pequenos apartamentos cheio de flores
que nascem do medo de sua solidão
flores solitárias e sombrias
resta uma trilha para sua salvação


os corpos precisam de marketing
os corpos precisam ficar cheios
roupas caras... objetos de arte
para esconder teus anseios


cidade que fede...
os esgotos são ruas, ou as ruas são esgotos?
nenhum crime se comete sem tua observação


esgotada está sua alma
esgotado está seu perdão
são como flores de inverno
plantadas no inferno
nascendo no verão.


Henrique Rodrigues Soares

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Cortesã da Juventude




















Não suportas a velhice
A tua beleza murchar
Queres sempre viver ontem
Para o amanhã não chegar
Tiraste um trago
da fumaça de vida que trago
na sombra cheia de estragos
feito pelas traças
E engasgou-se
de ilusões e loucuras
Ternuras e frescuras
que teu corpo absorveu


Ah! Como teu corpo é fúnebre
estéril e viril
Este teu sorriso infantil
que faz dos dentes diamantes
dos olhos amantes
de um mundo mercado
Ah! Como tua alma é frívola e feérica
Teus lábios sutis
criaram uma nova fonética


Não compreendes a maturidade de uma folha
Considera a velhice uma falta de escolha
Teu rosto enruga o espelho
Teus ouvidos não aceitam um conselho
Queres sempre está nova!


Henrique Rodrigues Soares

Tempos Remotos

















Quanta saudade tenho
da vida que não vivi
do amor que não amei
Quanta saudade tenho
do que não conheci e do que nunca terei


Do rosto de meu avô
restou à saudade das rugas que não apalpei
dos conselhos sábios, folclóricos
que nunca ouvi
da amizade que nunca tivemos


Oh! meus avós
que nem seus sorrisos conheci
Luiz Henrique, Juvenal
os cabelos grisalhos, o ar colossal
que imaginei...
não ficou nada...
apenas a sombra de suas existências


De minha avó
Avó na infância
na adolescência
nas ânsias e nas delinquências
Ainda sobrou aquela foto sem sorriso
séria, indiferente
aos meus erros.


Henrique Rodrigues Soares

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Confissão




















Entre as folhas e as ramagens frias
Pude ver teu corpo e tua alma vazia
Despir do nu na melancolia
No despertar da noite e no dormir do dia


Entre os teus olhos e os meus
Havia uma cinza nuvem de mágoas
Entre a terra e os céus ( seus )
Deus pariu as águas


Não esqueço da primeira vez que te vi
Teu rosto alegre e nativo
Procurando sempre um motivo
Pra sorrir e ser feliz


Também, não esqueço da última vez que te vi
Teu rosto "pueril" e cansado
O corpo servil e amarrotado
Pelos caminhos sem fim.


Henrique Rodrigues Soares

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pilares de sustentação
















Emoções não resistem aos atos.
Visões se diluem diante dos fatos.
Nada posso sentir
neste instante de gelo quebrado.


Minha mente ouve a ética
em que a alma sustenta suas estruturas.
Uma nova fonética
ganha voz na minha loucura.


Os sons, os tons
que testificam brandura.
As dádivas, os dons
brotam na ternura.


Senti me sufocado
por fantasmas que quebram pilares
de um tempo trancado
em segundos seculares.


Henrique Rodrigues Soares - O que é a Verdade?

Cavaleiro da Esperança




















Sonhador que labuta na esperança
Nesta fé antiga por velhos horizontes
Caminhas sem provisão e sem descanso
Por ávidos desertos e longinquas estâncias


Procuras a pura e simples felicidade
Que está tanto tempo por vir
E sua mania resoluta de insistir
Faz parte de sua clara identidade


Receba um vivo e régio conselho
E acharás para vida todas respostas
Olhe para ti no espelho
E veja como tu brilha nos meus olhos.


Henrique Rodrigues Soares - O que é a Verdade?
Ao meu Irmão Branco - Adriano Rodrigues Soares

domingo, 12 de setembro de 2010

Sêlo de Aniversário 1° Ano


















No dia 12 de setembro de 2009, foi criado este blog com intuito de apresentar a aqueles que por acaso tenham interesses em novos escritores, o meu trabalho em especial. Apesar de ter poesias, este espaço é de contos, crônicas, resenhas também.


Através de alguns amigos a meta foi alcançada, foram postados em alguns blogs minhas poesias: “Verso & Prosa”, “Versi D’Amore” e “Pecado Poético” da querida Amiga Reggina Moon (uma entusiasta fantástica de poetas novos, sou exemplo disto), “Amantes da Poesia” de Maria Madalena Schuck e “Uma Página para Dois” de Eduardo Poisl e recebi o comentários de outros bloguistas. Só tenho a agradecer por terem enriquecido este espaço.


Agradeço a todos visitantes e seguidores. Agradeço ao Amigo Antônio Carlos Januário pelas poesias de imagem que fazem parte deste blog, e as outras imagens são da web, por isso agradeço aos seus donos.


Hoje fazemos 1 ano de aniversário, com 2046 visitas, 23 seguidores, 184 postagens e 49 comentários para os que gostam de números.


Que todos possam receber este selo, seguidores e visitantes como um abraço fraterno.


Obrigados a Todos!


Henrique Rodrigues Soares

sábado, 11 de setembro de 2010

Tudo como sempre era

















Negros
dias negros
destino sorrateiro
trens negreiros
guerrilheiros sem esperança de vitória
Assim se escreve a história
da África até a América ( América do Sul )
Nu
despido pela fome
a viagem consome
o sonho de um país
o sorriso de ser feliz


Da Baixada a Central
pobre, sem domingo, marginal,
negros, brancos e mestiços
foragidos dos muquiços
enfrentando o sol


As favelas
de bocas banguelas
não escondem sequelas
da chibata feudal
Os meninos vadios
batendo bola
fugiram da escola
para esperar o carnaval.


Henrique Rodrigues Soares

Imagem de Zumbi dos Palmares.