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sábado, 13 de março de 2010
Poema de final de livro
Na vida medito
não me acho
Na vida, maldito
me calo
Como queria
minha vida um riacho
que passa ligeiro
como quem dar passos largos
sem olhar para trás
Não me contenho
não me detenho
pois não posso me aguentar
sou demais para mim mesmo
Na vida recito
um poema sem fado
se quase sempre repito
não sou inédito no que faço
sem preço, sem recibos
sem palavras, sem recados
Não tenho mais nada para falar
Por isso vou me calar
por instantes.
Henrique Rodrigues Soares
Pesadelo
Pobre, homem do campo
com seus sonhos de campo
Sonhos verdes que pastam suavemente no seu interior
Esperançosos em preservar a terra
no seu estado puro virginal
sem lhe tirar uma gota
gota de sangue clorofilado
E o homem urbano
assassino que destrói
sangrando a terra que não é sua
para construir seus sonhos urbanos de grandeza e poder
Sonhos doces
que com o tempo tornaram-se amargos pesadelos.
Henrique Rodrigues Soares
A teoria dos problemas dos problemas
A vida sem problemas é tediosa
Problemas demais matam
Não adianta querer
Este mar não secará
Você está caindo num abismo profundo
não adianta formulas mirabolantes
você não conseguirá ser um super homem
Você é um tetraplégico
braços e pernas inutilizados por você mesmo.
Henrique Rodrigues Soares
Viciado em injetáveis
Ah! nessas veias este sangue quente
Tu com este líquido frio ardente
A teu cérebro parece florescente
Mas depois, são só sobras, deprimentes
Mentiroso, diz que isto é semente
da dor, que teu corpo, tua alma domina
Por isso busca esta dor que te fascina
Pobre... louco... híbrido... doente
Prazer rápido que ilude
no brilho seco de suas agulhas
Procura liberdade em pequenas fugas
da própria prisão que criaste
Leproso, escravo da seringa
Tua heroína te destrói
Num conforto que perturba
Num veneno que te amotina.
Henrique Rodrigues Soares
Rotina
Há dias que acordo sem vontade de nascer
Há dias que vitórias nos fazem perder
Me sinto abortado depois de envelhecer
Sinto meus olhos escurecendo, sinto o fenecer
Sinto o desânimo meu corpo alugar
Num contrato longo sem idéia de mudar
Vida de rotinas, cigarro na boca
a suspirar pela nicotina que guarda a forca.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 7 de março de 2010
Gigante de Mármore
A solidão fria
adormece como o mármore
as luzinhas das casinhas, lá longe
tinam nos meus olhos
sinto necessidade de ficar sozinho
sinto necessidade de alguém que fique comigo
mas, me deixe sozinho
Olho para o outro lado
e vejo uma escuridão infinita
queria apalpá-la, mas não posso
queria nadar, voar e me compenetrar nela
mas não posso.
Então olho para mim
um pequeno ponto perdido
sem ninguém calado
sinto o coração se libertar
como quem quer paz
fugindo do meu corpo
saindo pela pele, pela boca.
Olho de volta para as luzinhas
elas continuam acesas, paradas
o meu corpo está tremulo
sinto me sozinho
sem horizontes e sem verdades
sozinho!
Eu e a noite fria
de mármore.
Henrique Rodrigues Soares
O Amor através dos Tempos
Rostos perdidos no passado
cartas misteriosas
que de tão lidas
não escondem mais segredo algum.
Cadê aquele cachorrinho?
aquele cachorrinho que destruía calçados
pulava, corria de língua de fora
agora, ele quase não existe
está velho e cansado
sem aquele brilho mimado
hoje, ele se arrasta pelo chão.
Não caça mais a vida como ela é
pura e selvagem
cheia de espinhos e folhagens
pois tem medo de se machucar.
O cachorrinho está tão triste
ele não corre, não pula mais
não abana o rabo
cadê o seu olhar feliz?
não existe mais
seus pêlos estão caindo
e da sua auto estima apenas sobrou
um resto de ossos
e um pedido de compaixão.
Henrique Rodrigues Soares
sábado, 6 de março de 2010
Vigília
A noite vem chegando
com sua escuridão
as ruas vão morrendo
as casas adormecendo
cães passeiam pelo silêncio
estrelas assistem
caladas
o desfile
do silêncio
que fascina
que assombra
Ali, bem perto
ruídos de vida
ruídos de morte
se encontram
trafegam no silêncio
e na escuridão
bocas famintas
se calam
em trégua
até o amanhecer
romaria de zumbis
embebidos pela noite
viciados pela noite
andam sem parar.
Henrique Rodrigues Soares
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O silêncio do Poeta
Não existe mais uma palavra para ser dita
Mais uma frase bombástica para você proferir
Os sonhos se diluíram na TEMPESTADE
Tua alma perdeu a vaidade
a tua língua sagacidade
HÁ TEMPOS tinha visto
o TEMPO PERDIDO desta geração
Cantou... encantou esta LEGIÃO URBANA
Procurou... perdeu-se, pois O EQUILÍBRIO estava DISTANTE
Perguntou QUE PAÍS É ESTE?
Falou de ÍNDIOS, amor e solidão
Falou de MENINOS E MENINAS
Falou de PAIS E FILHOS
Nunca mentiu se achando o dono da PERFEIÇÃO
Apenas queria mostrar o FAROESTE CABOCLO que é este Brasil
Dançou a DANÇA neste MUNDO TÃO COMPLICADO
Esperou ser assassinado pelo silêncio da poesia
Tua morte me dói, como dói...
Pois para mim e para muitos
AINDA ERA CEDO
para você partir.
Henrique Rodrigues Soares - 12/10/1996
Flores
Estou quase só
me resta à solidão engarrafada
angustiosa companheira
de doses solitárias
Tropeço nas minhas dores... tropeço nas flores
Flores fêmeas, flores plantadas por mim mesmo
enraízam e dominam o interior do meu quintal
Meu quintal está sujo
Meu quintal está tenso
As flores morreram sufocadas
e agora lamento
seus restos mortais.
Henrique Rodrigues Soares
Saudações as Torcidas
Camisa Doze corintiana
Camisa Doze colorada
FICO, Guerrilha Jovem e Raça Gremista
Vibração infinita, alvinegros, rubro negros e tricolores
festival de cores e cantos
Gaviões da Fiel, Independente,
TUP, Mancha Verde,
Fúria do Paraná, Inferno Verde,
Fúria bugrina, Império Alviverde,
TJB ou Jovem Fla
Alianças, rivalidades
lutas e paixão
Gaviões Alvinegros, os Fanáticos,
Galoucura, Força Jovem vascaína,
Raça Fla, Mancha Azul, Força Flu,
Jovem da Ponte, Máfia Azul, YOUNG FLU
Ninguém pode parar...
Ninguém pode calar...
Sangue Jovem, Jovem santista,
Leões da Fabulosa, Jovem Gremista,
Leões da TUF, Cearamor, Remoçada,
Terror Bicolor, Inferno Coral e Bamor
Nos estádios... nas estradas
sem cansaço... guerreiros a cantar
Jovem do Sport, Fanaúticos,
e outros mais...
Não tem chuva ... não tem sol
não tem distâncias... nem limites
Suas bandeiras tremulam
por seus times
Seus corações pulam
pelo crime de amar loucamente.
Henrique Rodrigues Soares
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Lucidez
Tentei não enxergar as paredes
com seu cal pálido de desprezo
mas as beijei, e senti o amargo gosto
distante verei teu rosto
o fim do que não teve começo
falo palavras que não sinto
o que sinto não tem preço
meu coração está deserto
decerto, preciso da multidão
fantasmas (resíduos de imagens diárias)
mutilam dia a dia o corpo
pouse para meus olhos
quanto tempo não te vejo
sou confuso, sem trilhos,
obscuro, sem filhos
para dar e receber.
Henrique Rodrigues Soares
Clérigo
Me tiraste o celibato do silêncio
cheiro do teu corpo... incenso
em que dorme todos os tempos
novos caminhos do meu coração
Teu sorriso ilumina meu espírito
que tantas noites solitário e aflito
conversou com paredes de ventos
escondendo minha emoção
Mal chegaste, foste embora
Minha alegria por poucas horas
Tinhas que ir para bem longe?
para me colocar enfermidades?
Estou aqui tão verme
melancólico... inerme...
não sei por onde
mandarei minha saudade.
Henrique Rodrigues Soares
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Coisa de Pele
No toque de tuas mãos
No toque de teus lábios
Me transformo em confusão
Não sou tão otário ou sábio
Apenas me perco em teus carinhos
Sons em profusão
olhos sem caminho
sentir o gosto do desalinho
sentir a força da canção
Mordo tua pele
como a carne de uma maçã
Carrego no peito a sombra
do melhor de todas as manhãs
Teu cheiro é suave
como a música de Djavan
Me dominas como se fosse teu
e foge quando quer
sem ao menos um adeus
me deixando um ateu
sem crer em nada
Acostumei com os ventos
que corre nas tuas veias
Acostumei com o pouco tempo
que tenho direito
Acostumei com teu temperamento
que amarga meu peito
Não faz sentido o que sinto
Mas deixei de me preocupar com isto
Esta coisa de pele
é o que me permito
são nuvens de ocasião
são pés que não tocam o chão.
Henrique Rodrigues Soares
Oração e Credo
Morro sem temores nem esperanças
Não busco nada dividido
Um deus ruim ou um deus bom
Serei, eu um deus?
Por ser bom ou ruim?
Não sou hippie, não sou do oriente
Não sou judeu, nem crente
Sou incrédulo, mas não sou católico
Fazem-se homens deuses
Fazem-se deuses em homens
De deus veio o homem
E do homem veio deus
Não sei!? Não sei!?
Nem me preocupo em saber
Deus é este momento lúcido
em que contemplo a natureza
com seus sons e cores
Vejo as pessoas com sonhos
amor, liberdade e sabores
Este é o Deus que acredito
É para ele que faço minha oração.
Henrique Rodrigues Soares
Mestres da Literatura
De Bandeira
esta febre passageira
que dura noites inteiras
De Sabino o complexo menino
envelhecendo e diminuindo
diante da vida e o tempo
Dos Drummond de Andrade
jeito interiorano na cidade
Do grande Pessoa
inquietação que ressoa
de várias vozes num só corpo
Álvares de Azevedo
e seu jeito azedo
Machado de Assis
a vida dura e infeliz
Tanta dor, tanto sangue foram poesia
Tanta verdade, tanta mentira foram romance
Meus preferidos diante de tantos queridos
minha homenagem.
Henrique Rodrigues Soares
Tarde Fria
Um cavalo sem rumo
cheio de dúvidas sem prumo
busca uma direção
cavalga tão forte
sem medo da sorte
o meu coração
Uma espada o divide
Uma dor o consome
saudade maltrata mais do que fome
É um caminho tão longe
cansa minhas pernas
cansa meu pensamento
O frio duro muitas vezes cruel
para aquele que caminha sozinho
quem quer um pequeno carinho
também quer o céu
II
O sentir tão fraco como vento
O possuir rápido como o pensamento
A juventude floresce e murcha
sem o brilho de outrora
seus dias foram embora
inconsoláveis e fúteis
A virilidade é tão efêmera
A consciência tão déspota
Machucas o que está ferido
Chuta o cadáver que deixou o tempo
sem escolhas e sem esperanças
Tanto de tudo
E ao mesmo tempo nada
O nada como tudo
são enganos de palavras.
Henrique Rodrigues Soares
Trem
Lá, no fundo no horizonte
vejo aquele trenzinho cansado
na sua rotina de levar
milhares de pernas cansadas,
olhinhos assustados e adormecidos
Corações esperançosos
mas no fundo desesperados
Pois a viagem é curta
e seus horizontes não foram alcançados
E daqui de longe
vejo com outros olhos
olhos de político doutorado
Vejo como um brinquedo.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Fortaleza de Humaitá
Nunca mais pousarei minha mão em teu seio
Nunca mais sentirei o ardor de tua carne
Minha vida se alenta no passado
Meu corpo moribundo sente necessidade de cura
Ah! este néctar dos teus lábios
como me saciavam nas noites de pedras
Não me culpe por te querer
Venha banhar meu corpo com tua mão
Venha me embebedar com tua saliva
Amor!
dor mais cruel do que a morte
Me ignoras, me destrói
numa melodia
numa hemorragia
alucinante
Oh, dor!
que finca minha carne
que brota no meu sangue
e escorre n'alma
Minhas noites tornaram-se deserto e desespero
A solidão me arrasta pelo chão das estrelas
E tu brilhas com tua face linda sobre meus olhos
Nem te odiar consigo
Não posso te condenar por não me querer
A distância do teu corpo
me estrangula, me sufoca
tira toda força do meu peito
Meu riso é um escape
para chuva que nasce de mim
Vivo vagando como uma estrela bêbada
cadente?
ou decadente
sem órbita
sem destino
Meu brilho é falso
meu fogo é ódio
em raiva me decomponho.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 24 de janeiro de 2010
Super City
Volta Redonda dorme...
com seus sonhos de aço
Volta Redonda respira...
com seus pulmões de aço
este ar químico de progresso
Gigante de pernas de ferro
de braços de ferro
e coração de sangue
Teus operários alimentam tua força
sangue jorra por suas veias e artérias
Volta Redonda, acordou?
Volta Redonda não dorme
Apenas cochila pela noite
O gigante não pode fechar seus olhos
Eles iluminam o sonho de um país
Volta Redonda, super Volta Redonda
A cidade do aço
Um coração pulsa sem parar
e com isso
o seu ritmo
pesado e suave...
seu ritmo de aço
percorre por todo país.
Henrique Rodrigues Soares
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