terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O desencanto do crepúsculo
Caí a tarde, com ela o findar
de um dia de rostos tristes
de um dia de corpos volúveis sem nada esperar.
Vivo como uma prostituta
vendida ao mundo por alguns trocados
e quando chega a noite
junto-me aos vermes
na sua inadiplicência divina
As folhas caíram com o entardecer
A noite é teu afã
O fado da morte
voltará para ti com rosto choroso
Saudades!
Sentimento firmado na terra caroável e absurda
dos que ficam
Sou invulnerável ao amor
Sou uma carteira seca no bolso
Sou marcas e feridas
deixados pelo tempo e o mundo.
Henrique Rodrigues Soares
Adoradores do sexo
Um quarto, uma cama
dois corpos unidos pela carne, pelo sangue,
pelos odores, pelos suores, pelos desejos
hormônios agitam
e dançam num frenesi infernal
seus corações ocos
empurram suas ilusões
sem país, sem endereços,
sem contratos ou considerações,
as ruas do sangue
com seu intenso calor
dominam os corpos
esses corpos ardem
pela posse do outro
esses disfarces, essas fantasias
não escondem a decepção
pois quando acordam
se sentem sujos,
vazios,
fracos
seus rostos tristes
vislumbram uma conquista momentânea
pois ninguém é de ninguém.
Henrique Rodrigues Soares
O Abismo
Estou suando?
Estou fervendo?
Cadê a água que transpira na pele?
O rio de dúvidas continua
rompendo por terras desconhecidas
Cadê minha bravura?
Cadê minha força? minha loucura?
Ela desmancha na tarde fria
Nossos corpos não se amam
Eu te amei!
Você me coagulou, sou um doente
Meu antígeno depende do teu anticorpo
Mas você não quer me dar do teu sangue
Oh! minha dor
Eu te cheiro, eu te possuo
com toda sua tristeza
com toda sua pureza
Teu frio me corta, me morde,
me sangra, me sufoca
e me faz suar
toda esta maldade que há dentro de mim.
Henrique Rodrigues Soares
Versos de Ocasião
Das ruínas de meu coração
posso construir minha prisão
e dos restos que sobraram
minha constelação
Do mal que extraí de tua urina
da seiva que sai de teus seios
de minhas lágrimas e meus anseios
posso criar meu oceano de perdição
Sou vento
sem canto
e canto
meu canto
por todo lugar
Não quero
falar do que perdi
pois senti
sofri
amei
chorei
por todo lugar
Que pena!
Meus olhos pobres apenas vêem
corpos que naufragam sem socorro
na noite vertical.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 10 de janeiro de 2010
A Cura
Minha alma etérea, triste, sombria
como a noite estelar que me inunda
que o silêncio é tanto que perturba
virgem do sorriso e da alegria.
Nenhum dinheiro no mundo compraria
o brilho dos meus olhos neste instante
nenhum ouro, petroléo ou diamante
nem flores, outros amores, nem magia.
Apenas tu, com esta pele em calor
exalando sentimento em fragância
curando assim, este maldito tumor
que me atormenta desde a infância.
Henrique Rodrigues Soares
Poema para uma menina levada
Uma rosa se abriu
e seu perfume me encantou
Uma semente jogada
na terra fértil brotou
Vejo um coração jorrando sangue
impulsionando desejos pelo chão
Vejo olhos derramando um no outro
doce lágrimas de paixão
Minha dor, minha flor
Teu corpo me atrai
me distrai
me contrai
me extrai
combustão
Quero teu corpo, teu perfume,
teu calor , tua respiração.
Quero teu caule, folha e fruto
tua raiz fecundada na minha terra.
Quero este teu olhar assassino e seco
Quero estes teus dedos suaves
acariciando meu corpo
navegando meu espírito
Quero tua suavidade, teus espinhos
Na tua boca um caminho
de inspiração.
Henrique Rodrigues Soares
Última Dose
O frio letárgico desta noite
penetra em meu corpo
As cores opacas desta noite
penetram em meu corpo
A indecisão oscila nos meus olhos
e clama por um chão em que possa se deitar
O silêncio mudo da escuridão
Meus braços, minhas pernas
presos estão no frio do medo
Congelou-se os meus ossos
Não consigo movimentar, não consigo decidir
Sou minha cela, minha própria algema
A vida não me fascina
É apenas uma construção podre
sem entrada e sem saída
Senhor!
Senhor!
Não tenho mais fé em nada
Então peço perdão
por odiar a vida
e a sua validade
E que meus olhos encham de lágrimas
e num perdão fantástico
Tu venha enxugar meus olhos.
Henrique Rodrigues Soares
Homem 100 limites de limitações
A
Cansado
Insatisfeito
Neurótico
Condenado ao
Ostracismo
Sexo pelo
Estado
Glória nos
Uniformes do
Narcotráfico, nossos
Dominadores
Ordenam o
Suícidio em massa
pra morrer.
Henrique Rodrigues Soares
Momento de Febre
A rua com seus perfumes
sabores e cores
A vida misteriosa, ativa,
imperfeita e cheia de dores
Os pássaros cantando
Os lírios brotando
no meu coração.
Não sei, não sei...
Se estou triste, se estou alegre,
se estou perdido, se estou sofrendo.
Apenas sei, que estou amando.
Henrique Rodrigues Soares
A História da Sociedade
O ser humano
na sua primitiva essência
andava sem rumo
solitário e nômade.
Teve uma ideia!
Criou uma cidade
e procurou viver com seu semelhante.
E assim se criou
a inveja, e a ganância,
o dinheiro, o ódio,
as armas, a pólvora,
o medo e a guerra.
Henrique Rodrigues Soares
A Puta
Naquele dia Maria
saiu se entregando ao amor ( dizem ser amor )
E amou os homens
com um amor intenso e febril
Amava tanto!
Amou José, amou Manuel,
amou Severino, amou João,
amou Antônio, amou Simão...
Amou tanto
que morreu sem amor
de ninguém.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 3 de janeiro de 2010
Palavras
A paz falsa encoberta por palavras
palavras que apaziguam, dignificam,
aquelas que lavam e purificam.
palavras que ficam e tu me encravas
escondidas, encarnadas, camufladas;
brandas, suaves, pesadas e macabras.
Sou um livro, um pergaminho
palavras nutrem minha alma
me dão esperança e calma
para voltar ao meu caminho
rumos negros como mim mesmo
só sei ferir-me próprio, a esmo.
Palavras nascem num riacho
rumarei onde forem elas
se por avenidas ou vielas
se em alto-mar ou em regato
andarei mais, andarei em terra
gritarei como bicho que berra.
Não me abra como a qualquer livro
sou encanto do mórbido... distante
não me queiras por mínimo instante
pois em fazer o mal, não me privo
não acredito em palavras... escrevo
tudo que com meu tato percebo.
Henrique Rodrigues Soares
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Passagem de Ano
O ano passou e com ele
as dores, as flores,
as alegrias, as trevas,
as loucuras das ervas,
o pó que aniquila
e o pó aniquilado
nos moveis, nos retratos antigos
que assistiram, que resistiram
tantos anos passados
O ano passou e teus olhos desejaram...
imploraram... choraram por milagres e sonhos
E você solitário sofreu com tua própria decomposição
No teu corpo feneceram flores de desejo;
flores angustiadas, medrosas e rancorosas
O ano novo nasce e você conforta no futuro
O ano novo nasce cheio de rugas e pelos brancos
Mas, há um novo amor no teu coração
Há um novo sangue em tuas veias
e novas estradas levam até novos horizontes
E nas florestas densas, as matas virgens suspiram por teus pés
Os tempos mudaram
A chuva molhou a terra
No céu relâmpagos anunciam novas guerras
Despi-me das feras e das derrotas do passado
Os rancores e temores se escondem no fundo do baú
Os teus olhos brilham como a estrela que pediste o desejo.
Acenda uma vela para teu corpo
Há apenas uma trilha para uma vida inteira
Fume teu cigarro... os sonhos se queimam...
de concretos viram fumaça,
como tua vida que passa
Espere, pelo ano que vem.
Henrique Rodrigues Soares
Juventude
Mar de fúria e de inquietude
as mãos engorduradas de desejos
roupas armadas de atitude
vaidosos em seus ensejos.
São água derramando no recipiente
falam como donos da verdade
são livres em suas mentes
mas se perturbam frente a liberdade.
Henrique Rodrigues Soares - Fases da Vida
Adolescência
Calmo, fui no que pude
preso nos sonhos adolescentes
cheio de fúria e atitudes
louco, tempestuoso e displicente.
Farto de desejos... amores crônicos
jeito puro, atirado e indômito
às vezes falo muito... vezes lacônico
bicho do mato, surpreso... atônito.
Minto por não saber a verdade.
Espinhos... meu rosto deformam
hormônios... meu corpo transformam
de sincero, minha autenticidade.
Voraz e de alma gentil
sentimentos ferozes
todos consigo... algozes
de um desejo mercantil.
Henrique Rodrigues Soares - Fases da Vida
Infância
Já pequenas plantas... elas cresciam
procurando seu lugar no mundo
falta de certeza do que faziam
brincando estes seres fecundos.
Do mal ou do bem, mas sem querência
pedras esperando serem lapidadas
algumas brutas e deformadas
em sua infinita inocência.
Henrique Rodrigues Soares - Fases da Vida
O Embrião
Nascemos embriões vigorosos
sete a nove meses guardados
para que nossa carne, nossos ossos
possam viver enfim... separados
Do seio materno que nos preparou
e a quebrar o cordão que nos prendia
num despertar quase que lento chorou
a semente mostrou sua magia.
Henrique Rodrigues Soares - Fases da Vida
Apolo
Narcisos enfurecidos
pintaram seus retratos.
O espelho de uma perfeição
que não existe.
Perfeitamente imundos
são suas almas
e seus preconceitos
e seus racionalismos
baratos.
Egoístas imaturos
não conseguem controlar
sua inferioridade
diante do seu frágil
disfarce
escondidos no espelho.
Henrique Rodrigues Soares
Poema Sujo
Não escreverei palavras belas ou afáveis.
Não cantarei a alegria, o romantismo,
nem as mulheres.
Cantarei, sim!
O som triste da solidão
os negócios escusos
os sentimentos confusos
a feiura e o ódio que exorcizam meus olhos
Não ficarei calado
é necessário continuar,
então escreverei... escreverei... palavras terríveis e absurdas
escreverei dores, derrotas e egoísmo.
Sinta nas suas narinas
as impurezas do meu coração.
Sinta nas suas narinas
o mau cheiro destas palavras.
Não há beleza na realidade.
Não há amor na realidade.
O não existir é perfeito
as flores são perfeitas
e o homem uma mentira mau contada.
Nossos olhos enganados sobrevivem
do vaivém dos disfarces
que circulam entre nós
com toda sorte de maquiagem.
Henrique Rodrigues Soares
sábado, 12 de dezembro de 2009
O Operário e o Marinheiro
E o operário, carvão que alimenta as usinas
Força, combustão usada nas oficinas
Ser bruto que habita em obscuras minas
Escravos das horas como uma máquina humana
Preso a um salário de semana
que ao seu trabalho profana
por seu valor mísero e curto
E o patrão de meios escusos
já que possui muitos recursos
com a esperteza de quem sabe furtar
consegue dividir ou enganar?
Um salário p'ra três, e conseguindo escravizar
ao operário que sem dinheiro
como um bom marinheiro continua a navegar
Pois melhor um navio pobre do que ficar longe do mar
E assim sendo, o solitário marinheiro
navega, navega, navega...
com seu estômago vazio
com sua alma vazia
mas com seus olhos cheios de águas
Águas do mar
Nada, nada, nada...
pois acabou o combustível
E quando reclama
nada, nada, nada...
pois acabou o mar
O mar secou.
Henrique Rodrigues Soares
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Saudades
O mar se achega a terra
como quisesse consolo
como quisesse enxugar suas lágrimas
como um companheiro cheio de saudade
como quisesse consumir
com fúria
agredindo, penetrando,
irmanando pela terra.
Tua espuma num encontrar de lábios
florescidos
umedecidas glândulas salivares
O teu sal de desgosto
O teu frio de solidão
O teu amargo de saudade
Ah! Espuma branca, pacífica,
sinal de evasão
O teu sentimento indevasso.
Henrique Rodrigues Soares
Estado Terminal
Lembrança de vida imaculada
sem vícios, precisa
guardada na espera
do amor que não veio
Este meu coração submisso
esperou por teus olhos
por décadas de solidão
O mundo me deixou cair
em soluços e deserto
E me levantei como sol no inverno
apenas por obrigação
Aonde você está?
que não te vejo
Sinto agora o tempo perdido
com palavras suaves
Sinto a vaidade sagrada
que cultivei
Os casulos ranzizas
que morei
Me deixei
no cálice do esquecimento
que caiu
e se quebrou.
Henrique Rodrigues Soares
domingo, 6 de dezembro de 2009
Religiões
Deus? Deuses?
Um? Milhares?
Todos num só, ou todos com todos?
Culpados ou inocentes?
Criadores ou criações?
Escravizadores ou escravizados?
Destruidores, vingativos ou libertadores?
Símbolo da fé humana
tão humana, por isso, tão frágil
Deuses humanos
a nossa imagem e semelhança,
ou vice-versa
Nacionalistas e tiranos
com o tempo
alguns viraram poeira
alguns fortaleceram-se
outros apareceram.
E os homens escolheram
um, três, três em um
para ser adorado pela maioria
Mas o homem, já que a fé é humana
confundiu e confundiu-se
criando a religião
que é humana (por isso cheia de erros)
versificada
versificou
milhares de teoria sobre um mesmo Deus
Que assim acabou tornando muitos
que são ao mesmo tempo
um só.
E o homem
na sua eterna cegueira
continua procurando
um culpado para tudo isso.
Henrique Rodrigues Soares
Sensações 2
Sou como a nuvem
passageira e suave no azul do céu
Não espero nada de ninguém
Não quero que esperem de mim
Quero sossego para olhar a vida
com meus olhos.
Com meus próprios olhos.
Quero enxergar o fio da vida
que arrebenta com o findar das horas
Pois a vida não é mais do que isso
Um fio infinito que não se vê
apenas posso senti-lo sua negra decomposição em mim
A hora é sua maior inimiga
Você nunca convencerá
Pois ela é sua dona
Não siga o caminho negro
nem o caminho branco
Pois não há caminhos para quem vive
apenas a morte
E nesta noite calada
teu carinho me sustenta, vivo,
ou quase vivo
Não tenho mais certezas
A escuridão é dúvida
e só vejo escuridão
Tua alma é escura
como a alma de qualquer mulher.
Henrique Rodrigues Soares
Elegia para Cláudia
Ah! Como eu te amo
Um amor puro sem censura,
sem carne, sem mistura,
sem posses, necessidades ou obrigações.
Te amo te querendo
sem querer para mim
Ah! Minha amiga
Nas noites em que o abismo se achega
Nas noites que minhas lágrimas
brotam nos meus olhos
A tua presença é uma luz acesa
que brilha que esquenta meus poros.
Quando este astro louco deixar
esta galáxia.
Ele levará consigo
uma lágrima, um sorriso, um carinho teu
numa longa caminhada
num doce adeus.
Henrique Rodrigues Soares
A minha Querida amiga Cláudia.
Fora de órbita
A noite se vestiu de estrelas e sagacidade
Afoito, petulante, sou um anjo puro
Meus olhos são incisivos e obtusos
Tão vazio este sorriso de sinceridade
Impregnado pela intensidade da volúpia
Te vislumbrei na casta penumbra
cintilante teu rosto me inunda
nesta inefável noite de núpcias
Porfiei, por estes segundos íntimos
A noite, uma escuridão obesa
se aflige e uiva indefesa
por seus próprios desejos ínfimos
O meu riso é caustico
ludibria minha face
Este teu quase?
É frase de matemático
Meus olhos tremendo
correm teu corpo envolvente
Ouço o latejar
do mar de saliva entre teus dentes
Sinto teu sangue agitado
andar por teu corpo
Sinto teu sexo suado
chamar por meu corpo.
Henrique Rodrigues Soares
Cavaleiro Maldito
Ao cérebro, este cativo da loucura
num mar de tormentas navega
preso as ilusões que se apega
esperando o convívio da terra pura
Oh! morte, mar de obscuridão
me agasalha como teu filho nobre
nesta voraz noite de cobre
em que me resta a tribulação
Atribulado, e sem esperanças
como um cavaleiro andante das trevas
em que me prendo ao feitiço das ervas
e, ao pecado que é pecado por usança
Acorrentado pela dor que me abate
a solidão é febre que fere e que mata
sou exemplo do lixo, da sucata
pra quem já foi carro de combate
O calor do verão. O frio do inverno
tão intensos, tão iguais, tão inversos
não me acostumei a este mundo perverso
que pra mim é uma etapa do inferno
Da vida, não espero flores
espero apenas esta maldição que sustenta
a humanidade que em marcha lenta
vai de encontro a morte e as suas dores
Triste, vil, é meu fado de álcoolotra
que bebo pra me libertar do sistema
mas acabo, me escravizando no emblema
de louco, híbrido e idiota
E este meu espírito de anhangá
num arpejo de morte
no ágape dos fortes
sem receios se entregará
Mas tu não verás meu sangue
ser derramado neste planeta mundano
homenageando algum deus profano
sou nulo e meu corpo exangue
Também, não verá lágrima
de minhas pálpebras derramar
por esta vida que vou deixar
pois ela é tédio e traumas
Não quero vestido suntuoso
quero apenas amargura casta
das trevas que me arrasta
para o fim tenebroso
Na cova me atirei, virei passado
o ativo dos meus dentes cessaram
as águas do meu corpo secaram
a terra me pranteou calado.
Henrique Rodrigues Soares
Labirinto sem Opções
Vejo a noite cobrindo
todo o meu corpo
O sussurro da noite
persegue os meus ouvidos
Me perdi num grande vazio
As flores estão sem graça
O cansaço vai tornando em desespero
O absinto tornou doce
O céu e mar estão vermelhos
Os teus olhos estão secos
como um vídeo que passa o mundo
sem seus sentimentos
Então peço perdão por não te conhecer
Então peço perdão por te odiar
Então peço perdão por não acreditar em você
Então me entrego...
como as folhas se entregam ao chão
Como o cair da noite
espera o alvorecer.
Henrique Rodrigues Soares
Ao Dinei que nos deixou tão cedo.
Amor Recondicionado
O teu brilho que até ontem se perdera
de fulgor e glória está de volta
O teu riso que não houvera
Hoje anda, e perfuma à solta
O teu corpo sacia meus olhos
da sede que resseca
minha boca seca
Fiquei muito tempo
te esperando
me consumindo
quase sumindo
vendo o tempo findo
pois a vida acabara
e eu te esperando
Mas como um cão fiel
O corpo espera seu dono
Passa verões e outonos
Já estou sentindo sono
Mas só irei se for pro céu
Então como despertar do inesperado
Vejo meu coração alimentado pela matéria
E o coração recondicionado
bombeia sangue renovado
por veias e artérias.
Henrique Rodrigues Soares
Vida Difícil
Se puta ganha
seu ganho
com pernas que andam
com pernas que arreganham
e abraçam o mundo.
Se o desejo é imundo
aos olhos do mundo
Então respire profundo
e se perca sem perdoar.
Se teu corpo não se acanha
Se a moral não tem vergonha
Se tuas máscaras não desabam
Se teu rosto não perde o disfarce
De quem tens medo?
Se no mundo não existe segredos.
Henrique Rodrigues Soares
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